Omeprazol – Pode causar câncer ?


Quem toma omeprazol ou similares, como o pantoprazol, provavelmente ficou preocupado com a publicação de uma pesquisa que apontava um aumento no risco de câncer de estômago relacionado ao uso de inibidores de bombas de próton (IBP), nome científico do medicamento.

A pesquisa realizada durante oito anos, com mais de 60 mil pessoas de Hong Kong, aponta um aumento de 2,4 vezes no risco de se desenvolver câncer de estômago, o que poderia ser até cinco vezes maior no caso de uso prolongado.

Não se pode tomar uma decisão definitiva a partir dessa pesquisa. O desenvolvimento de câncer de estômago apareceu em 0,25% dos pacientes. Mas essa região já tem uma alta incidência de câncer gástrico, e outros fatores de risco –como obesidade, tabagismo ou histórico familiar– não foram analisados.

A pesquisa não deixa de ter sua importância, já que o medicamento ainda não chegou a completar uma geração inteira desde seu surgimento e estudos sobre ele são importantes. Porém, ainda é cedo para condená-lo. É um artigo impactante sim, mas por outro lado, existem muitos outros artigos com resultados a favor do omeprazol.

Especialistas alertam para que se tome omeprazol apenas quando orientado pelo seu médico e que sejam feitos exames periódicos para acompanhamento. Caso seja receitado, pode tomar com tranquilidade, já que é um medicamento consagrado de uso de curto e médio prazo.


O principal problema é que, por não precisar de receita, as pessoas acabam usando o remédio sem controle, ao primeiro sinal de desconforto gástrico ou azia. Mas, como qualquer medicamento de uso crônico e prolongado, precisa ter o acompanhamento médico.

É o médico que vai poder notar os diferentes sintomas antes de um diagnóstico de câncer de estômago, como gastrite ou atrofia gástrica.

A população analisada no estudo foi tratada para combater uma infecção bacteriana. E essa bactéria é um fator de risco para o câncer de estômago. Além disso, não se pode estabelecer se a incidência do câncer tinha relação com o omeprazol ou com um tratamento ineficiente feito no passado.

Dra. Fernanda Capareli, oncologista clínica do Hospital Sírio-Libanês

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